Bem com dois dias apenas a separar-nos dos resultados do segundo referendo em Portugal acerca da questão do aborto e no ultimo dia em que é permitido fazer campanha eleitoral (de acordo com a lei) achei por bem efectuar uma pequena retroespectiva do que se passou na minha blogoesfera proxima e de diferentes opiniões que deixo aqui para todos aqueles que me lêm e que ainda não se decidiram sobre como vão votar nas urnas no proximo domingo.
Eu sei que este assunto já está a ser debatido há algum tempo e que já começa “a enjoar” certamente mas a verdade é que estamos perante um momento muito importante na nossa Republica e devemos participar com afinco na decisão que se avizinha.
- “Sim ou Não: Eu Voto” foi o artigo onde apelei á ida ás urnas no próximo dia 11 de Fevereiro
- “Abortemos Irmãos” foi por outro lado onde expressei a minha opinião sobre o assunto ainda em Novembro do ano passado.
- Curiosamente “Abortemos Irmãos!” foi também o titulo que a Sara do Psicologicamente deu a um artigo onde expressou prós e contras para ambos os possíveis resultados de Domingo.
- Outra pessoa que também apresentou diversas possibilidades para este referendo foi o Bruno do Olhar Marciano que nos apresentou “Campanhas, perguntas, e poucas respostas…”
- A favor do SIM o Mario do Blue: Muio Muio deu-nos um “Primeiro argumento”.
- O Valter do CineXL falou-nos da “Questão de Despenalização do Aborto” e disse algo que sublinho:
A campanha pelo SIM é a favor da despenalização do aborto até às 10 semanas, e NÃO A FAVOR DO ABORTO COMO MÉTODO CONTRACEPTIVO.
- A partir de um muito triste video do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa o “nabo” do Bolinhos.come consegui gerir uma muito interessante discussão nos comentários com a entrada “As razões do Assim Não”.
- A Isa do Lost in wonderland falou-nos sobre a “IVG” com uma grande “posta” digna de se ler.
- O Parvo na Cadeira do Factor F falou-nos do “Aborto (ou que comecem os jogos)” e os jogos começaram nos comentários criando umas discussão nada amigável mas que demonstrou a falta de argumentação que infelizmente segue em grande medida dos “adeptos” do Não (e sim, isto é uma opinião que tenho infelizmente).
- O Rui do ruimoura.net surpreendeu-me bastante quando defendeu um não ao falar d’“A questão do aborto” o que me surpreendeu bastante pois nunca pensei que ele caísse na esparrela das campanhas do Não que falam numa “Liberalização” que não está aqui em causa.
- A Margarida do Private Emotion sugeriu que se usasse um alfinete de ama ao falar da “Despenalização do Aborto: Pelo Sim”.
- O Wonderm00n exclamou “Que Hipocrisia!”, e com razão, em relação aos cartazes que estão espalhados pelo país com frases ignorantes a apoiar um Não no referendo do dia 11.
- O Marco do Tuaregue assustou-se numa peça de teatro e ficou a interrogar-se se iria votar Sim ou Não mas eu volto aqui a reforçar que a atitude do “faz-se um aborto depois” não é aquilo que vai acontecer, pelo menos é aquilo em que acredito.
E pronto, aqui fica um apanhado de tudo o que fui lendo na blogoesfera.
A maioria não me surpreendeu, li precisamente aquilo que já esperava ler fosse o aborto hoje, ontem ou amanhã e podemos tirar daqui uma grande conclusão: não se nota nesta lista uma falta de argumentos validos, moderados e bem ponderados quer para um lado quer para o outro (mesmo que a balança tenda para o lado do Sim) e infelizmente pude concluir que, salvo umas poucas excepções que me surpreenderam, os comentários a favor do não gritam por todos os lados que é um “atentado à vida” sem darem grandes justificações lógicas ou argumentos validos.
E não meus amigos, eu não considero que um embrião seja mais ou menos vida do que o Aloe Vera (por exemplo) que é usado para espetar em tudo quanto é produto actualmente. (Para quem não se lembra ou não sabe, só existe feto a partir da 8ª semana de acordo com a wikipedia e eu não acredito que em 2 semanas seja possível ao feto tornar-se capaz de sobreviver sozinho no exterior do útero.)
EDIT: E resta dizer que depois desta entrada o Hugo Cardoso do hugocardoso.com fala sobre o “Referendo” fazendo uma espécie de rescaldo da campanha que verificamos.


Fevereiro 9, 2007 ás 21:40 [resp.]
Um post que já fazia falta, algo que agregasse várias opiniões e pontos de vista (se bem que mais inclinada para o sim, também por razões que acho óbvias…)
As campanhas do não sinceramente já me começam a dar nojo de fazer parte da raça humana, no metro é revistas e panfletos com imagens de abortos (verídico!), é meninos e meninas de
Cascais que estão bem da vida a defenderem um falso moralismo. E é os panfletos da organização do não-obrigada com o NIB no verso a pedir doações (o que explica a proliferação dos movimentos do não…) e a ter a lata de dizer que o excesso vai para instituições de apoio a mulheres grávidas. Onde estiveram eles desde 1998? (onde se pode admitir que esta problemática ganhou maior relevância) Só se apoia agora que se quer algo em troca? (a vitória do Não). Acho muito bem que se ajudem estas instituições e que inclusive muitas mulheres venham recorrer a elas, mas hipocrisias não faltam nesta campanha do não.
Fevereiro 9, 2007 ás 21:51 [resp.]
Muito bom post. Assim todos podem observar uma boa amostra do que se tem passado por estas bandas.
Muito se tem ouvido sobre isto, e se “já enjoa”, é pela quantidade de argumentos/debates tristes que se têm visto por ai. Mas felizmente também se encontram bons argumentos, de ambos os lados (também concordo, que, especialmente do sim… muito do “não” tem caído no simples “somos pela vida”, como bem disseste).
No entanto, e especialmente a nível politico e da grande imprensa, penso que é pena se andar a fazer tanta “campanha”, para um assunto como este. É pena não se preocuparem mais em antecipar/debater as consequências positivas e negativas de ambas as opções, e o que pode ser feito para que a opção escolhida seja “aproveitada” da melhor forma, em vez de se preocuparem em deixar bem vincada a opinião do partido x ou y, da pessoa famosa w ou z.
As vezes parecia um bocadinho “eu quero que o sim (ou o não) ganhe, para eu ter razão, o resto que se lixe”.
Fevereiro 9, 2007 ás 21:53 [resp.]
Eu não me assustei com a peça, mas sim com a reacção do público, a peça era interactiva.
Fevereiro 9, 2007 ás 21:55 [resp.]
@Marco: sim eu apanhei mas não deixei isso muito explicito no post sem querer
@Sara & Parvo: toda a campanha dos “mass media” neste assunto tem sido uma lastima mas mesmo assim ligeiramente melhor do que vi em 1998… É triste mas é verdade
Fevereiro 10, 2007 ás 1:19 [resp.]
Esperemos que amanhã a população vote! Quanto à campanha concordo plenamente: foi de desinformação completa.
Fevereiro 10, 2007 ás 4:12 [resp.]
O facto de existir feto a partir da 8ª semana não o torna mais vivo do que um embriao de 4 semanas.São estádios de desenvolvimento de um ser humano, entre outros que vai ter ao longo da sua vida. Acrescente-se que mesmo depois de nascer, o bebé não consegue sobreviver sozinho. Parecem-me argumentos válidos para justificar o aborto como um “atentado à vida”.
Para além disso, Despenalizar implica obrigatoriamente Liberalizar.
E por fim, não compreendo como podem tapar o sol com a peneira dizendo que os abortos clandestinos vão acabar se “ganhar o SIM”.
Informem-se em fontes fidedignas e não nas informações e pareceres dados para a manipulação da população através de valores estatísticos controlados pela conveniência estatal e interesses de outras entidades com poder.
Fevereiro 10, 2007 ás 11:43 [resp.]
São sim argumentos validos pois um embrião ou um feto de 10 semanas morrem sem a protecção do útero materno enquanto que um recem-nascido NÃO! Um recem-nascido não precisa da mãe, é melhor para ele mas não precisa dela para sobreviver.
É triste ver pessoas que ainda defendem o não, pior ainda é pessoas que têm a lata de dizer que na Europa somos os únicos a tentar fazer esta “liberalização” (que não existe como estou farto de repetir) quando somos o ÚNICO país da Europa com uma lei tão retrogada como a actual.
Eu gostava de o ver a dar argumentos em vez de nos dizer a nós para nos informarmos porque mal informadas são as pessoas que acreditam numa liberalização como se o CDS-PP fosse uma fonte fidedigna de informação.
Ninguém vai abortar “só porque sim” porque o nosso país pode ter muitos defeitos mas uma coisa que somos e sempre fomos é cuidadosos como indivíduos e eu pessoalmente tenho confiança nos nossos médicos para dissuadirem a maioria das pessoas que pretendem abortar.
Epah pera aí que tenho de ir ali comprar o Correio da Manhã que deve ser fonte bem mais fidedigna do que ler estas sondagens da treta que vêm no Publico ou no Sol!
Fevereiro 10, 2007 ás 11:45 [resp.]
@cegonha
Há quem não se apoie em muletas, como o não parece fazer de todas as vezes que fala.
Uma mãe não é só uma hospedeira que traz um ser vivo lá dentro. É preciso muito mais para ser mãe.
E há gente que não tem, ou numa dada altura não tem, perfil para ser mãe.
Aí ela pode escolher entre gerar uma vida e deixá-la aí ao deus dará, educá-la ou não ter um filho. O que difere de agora em que as pessoas são obrigadas a ter filhos mesmo que não queiram, mesmo que sintam que não é isso que querem.
Quanto a valores estatísticos controlados, bem não há nada mais fácil de manipular que estatísticas e todos o fazem.
Quanto a atentados à vida existem muitos que nem sequer têm a ver com mortes de pessoas e muitos são praticados pelas mesmas pessoas que apoiam o não. O simples ódio religioso é uma delas.
A hipocrisia da defesa da vida vejo-a todos os dias, quando ando na rua e sinto a indiferença entre todas as pessoas que se cruzam no meu caminho, e ninguém se preocupa com ninguém.
Vejo gente a tropeçar, vejo gente a ter acidentes e ninguém se preocupa em defender vidas aí. “É só outra pessoa, “alguém” há-de ajudar, porquê preocupar-me?”
Eu prefiro defender a “escolha” das pessoas, não o “aborto” em si. Pois as pessoas apenas aprendem muitas vezes quando erram. Falta calo a esta sociedade superprotegida. Falta pensar nos assuntos que realmente interessam com 2 palmos de testa. Hoje em dia exigimos uma pátria que decida por nós. Isso é viver?
Eu vou votar sim e contudo espero que a maior parte das “mães” continue a não optar pelo aborto, e que quando optar sim alguma vez o arrependimento dela chegue para a castigar e não falsos moralismos sociais. Mas isso é ser mãe e não mulher hospedeira.
Deixem-se de merdas, vocês desrespeitam a vida humana quando chamam ignorante à mulher e banalizam o aborto dessa maneira. O aborto é sempre um acto de sofrimento, mas tem de ser tomado com todos os apoios se não houver mais nenhuma hipótese (e para quem diz que “há sempre outra hipótese”, a realidade não lhe deve ser um conceito muito chegado.)
Fevereiro 10, 2007 ás 17:38 [resp.]
Dextro, eu não caí na esparrela de ninguém, muito pelo contrário. No meu post disse inclusivamente que repudio completamente a maioria das campanhas a favor do não. Eu não sou influenciável por estas campanhas da treta, voto no que acho que devo votar, e ponto final. Já expliquei bastante os meus motivos, o meu post já teve à volta de 50 comentários, e portanto não preciso de estar a explicar tudo outra vez.
A análise que fizes-te à minha opção está completamente errada. Lamento.